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terça-feira, 20 de abril de 2010

Música antes da quarta - Por Lorena Raia

COBERTURA ABRIL PRO ROCK 2010


1ª NOITE


O Abril pro rock parece ser mesmo predestinado ao pavilhão do centro de convenções, embora o espaço seja horrível para o som [péssima acústica], é ótimo para o clima do festival. A Astronave está de parabéns, shows dentro do horário, seguranças, ar-condicionado, tudo no lugar.

Com orçamento “enxuto”, Paulo André sintetizou o espaço do evento e entre outras coisas colocou os palcos lado a lado. Mesmo tamanho e estrutura. Isso foi lindo. Bandas novas tocando no mesmo palco de grandes nomes, como Ratos de porão, Varukers, Pato Fu e Afrika Bambaataa. E o público ganhou o conforto de ficar quase no mesmo lugar para ver os dois palcos. Fantástico.

A primeira noite começou bem com o Inner Demons Rise [PE], que mesmo com o pavilhão praticamente vazio, não se abalou e tocou um metal pesado de primeira. Depois foi a vez da Alkymenia [PE], que atraiu pela energia, ocasionando o primeiro pogo da noite. Os paulistas da The Mullet Monster Máfia fizeram um bom show mostrando seu Power surf music, que não agradou aos metaleiros, mas no geral foi muito bom.

A Claustrofobia [SP] foi uma das melhores bandas da noite. Som pesado, cheio de testosterona. O vocalista sintetizou bem quando disse que não tinha tempo pra falar e sim pra tocar. Fez a primeira aglomeração da noite e não decepcionou. Estavam começando os melhores shows da noite. A Terra Prima [PE] veio com o metal melódico influenciado por ritmos nordestinos. Não agradou a muitos. Talvez por ter vindo após o show da Claustrofobia, que detonou no Thrash/HardCore/Death Metal. Mas quem gosta do estilo curtiu o show e a ótima voz do vocalista, Daniel Pinho.

A Eminence [MG] mostrou um grande show. Presença de palco, energia, entrosamento, músicas bem construídas, encantou o público. Mais um ótimo show. A Agent Orange [EUA] trouxe o surf punk music, tudo junto e misturado num som cativante e forte. Homenagearam Sid Vicius, com a música “Too Young to Die” e fizeram um show bom, mas tivemos shows melhores.

O The Varukers [ING] realizou o sonho de muitos velhos punks que estavam por lá. Os punks da cidade correram pra frente do palco pra sacar toda a energia daquela banda histórica pro movimento. Chegou a vez da banda da noite. O Ratos de Porão [SP] simplesmente detonou. A roda punk estava insana, até um skin head com um extintor de incêndio rolou. A energia era tanta que os ingleses do Varukers estavam atrás do palco pogando. Foi fantástico!!

O Blaze Bayley tocou apenas para os metaleiros. E não foram poucos. Grande parte do público era dos metaleiros das antigas, com suas mulheres e estilo e cabelos grandes. Uma cena linda. Como há muito tempo não se via. E o Blaze não deixou por menos. Empolgou e interagiu com o público e fechou com chave de ouro a primeira noite do festival.



2ª NOITE


A segunda noite do evento começou com o Anjo Gabriel [PE]. Sinceramente não vi o porquê daquela banda no abril. Rock progressivo, setentista. O som da banda em si é bom, mas sem entrosamento, talvez progressivo demais. Em suma, não estavam preparados para um grande palco.

A Mini Box Lunar [AP] tem vários atrativos, duas meninas no vocal, estilo, carisma, presença de palco. O som é legal, ingênuo, mas precisam melhorar os arranjos vocais. Fechando isso vão crescer bastante. O Plástico Lunar [SE] tocou um rock’n roll legítimo, com um bom trabalho de guitarras e vocais. Som direto, sincero, mostrou que Sergipe tem coisa boa. Promissor.

O Bugs [RN] trouxe o rock’n roll garage, também com traços setentistas. Bom show. Depois foi a vez de Zeca Viana [PE], o multiartista trouxe uma banda completa, guitarra, baixo, teclado, até flauta trasnversa pra mostrar seu trabalho solo. Banda entrosada ou não, a música dele apresentou uma sonoridade bacana, diferente, algo que somou ao festival que vinha de estilos muito parecidos.

A Vendo 147 [BA] tem uma presença de palco fantástica, as duas bateras extravasam energia e sincronia. Nada sobra, nada falta e fica o rock do bom. Grande show. Nevilton [PR] é uma banda com ótima presença de palco, performance vibrante, entrosamento, bons arranjos. Tem de tudo pra dar certo, tirando a inocência das letras. O naipe dos caras não condiz com as letras infantis que falam de meninas e cerveja. Amadurecendo nisso vão ter o Brasil nas mãos, porque no palco eles arrasam.

A River Raid [PE] toca um rock gringo, agraciado com o vocal de Pompi, que simplesmente é o melhor do estilo no Brasil. Juntou gente para o show que foi pesado, intenso e puro rock. Show de bola. Melhor ainda se fosse em português. A Plastic Noir [CE] trouxe algo que eu nunca havia visto no Abril, o gótico eletrônico anos 80. Baixo clássico, vocal depeche mode, clima sombrio. Quem curti esse estilo gostou da banda.

Wado [AL] veio com um show totalmente diferente das outras bandas. Meio samba, meio funk, atual e misturado. Pontuou diferentes momentos entrosando o público do início ao fim.

O Instituto Mexicano Del Sonido [MEX] foi o “azarão” da noite. Ninguém esperava a energia, o swing e o talento desse grupo. Bastou começar a tocar para o público se aproximar do palco e dançar. Que volte mais vezes. Grande show.

O 3 na massa [PE/SP] agradou. E como não agradaria com tremendas beldades no vocal e com os melhores músicos do Brasil? Dengue confessou estar preocupado, pois o som da banda não era muito de festivais e sim de teatro, mas o charme, a sensualidade e a execução perfeita seduziu o público que ficou com gostinho de quero mais.

Apesar da programação divulgar que Afrika Bambaataa [EUA] fecharia, não foi isso que aconteceu. A banda subiu ao palco logo após a 3 na massa e foi ideal, porque a vibração casou. Um revival de músicas consagradas e estigantes colocou todo mundo pra dançar. Até “Tá dominado” rolou. E o público pernambucano, tendo um ótimo gosto pra música, se entregou ao hip-hop do grande mestre co-fundador dos DJ’s e MC’s. Memorável.

A noite fechou com o Pato Fu [MG]. Sem sombra de dúvidas o Pato Fu, tanto quanto o Ratos de Porão são bandas que namoraram com o Abril e vez ou outra tem um “rolo”. É sucesso na certa. Muita gente ficou até o fim pra ver a banda mostrar um repertório misturadíssimo e cheio de hits, a execução do rotomusic de liquidificapum foi impecável, e o carisma de Fernanda chega a ser estúpido. Gostamos tanto dela que não nos importamos em vê-la fazer papel da boba colocando orelinhas de coelho e óculos escuros. É um caso de amor e pronto.

O festival está de parabéns. Conseguiu um bom público nos dois dias [mesmo com a chuva do sábado], trouxe bandas novas, mas que estão circulando pelo país pelo circuito fora do eixo e trouxe nomes memoráveis como Varukers, Ratos de Porão, Pato Fu, 3 na massa, Afrika Bambaataa e Instituto Mexicano Del Sonido. Que venham mais 18 anos!!
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Saiba mais sobre Lorena Raia e sua banda Antiquarta:

www.myspace.com/antiquarta

3 comentários:

  1. Wado, a grande supresa pra mim. A river raid também ta muito madura depois da turnê!

    Rock!!

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  2. Pods crê!
    Wado e Instituto Mexicano! muito massa

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