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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Teatro de Quinta - por Sidmar Gianette

Dos Porquês não fui ao protesto entre outras coisas.


Antes de entrar nesse assunto complicado, recomendo esta joinha rara vista ontem (quarta-feira). O espetáculo Um Torto de Giordano e Pedro:



Infelizmente não vou escrever sobre ele hoje. Preciso de mais tempo pra dissecar o coração de Giordano, aquele “torto cretino tentando ser espontâneo. A peça segue curta temporada nos dias 28, 29 e 30 de maio e 4, 5 e 6 de junho no Espaço Cultural dos Correios no Recife Antigo. Sinto que os grupos locais enfim designam uma geração, mas pode ser bondade e emotividade minhas.


Mas, quanto ao protesto, sinto dizer que a única causa que concordo inteiramente a ponto de ir às ruas por ela é a legalização da maconha. Admiro que os artistas de teatro no Recife enfim tenham unido-se, depois de tantos anos de cada um lutando por si, mas também acredito que repartido o bolo, como todos querem, cada um vai se deliciar sozinho com as migalhas que caírem. Acredito também que o espetáculo que Renato L. prometeu para 2011 já tem diretor e elenco definidos, e por mais que siga a política pública difundida desde Sandy no Marco Zero, de aproximar os globais (e principalmente os globais locais) da populaça, vai ser saudado e criticado e cair no esquecimento. Também porque nada tenho contra a Bibi Ferreira, quanto à ela preparar o espetáculo daqui na véspera e ao valor do cachê que é o “preço do projeto”. Para quem não sabe do que estou falando, falo do protesto realizado por artistas cênicos pernambucanos em frente ao Teatro de Santa Isabel na segunda-feira, 17 (veja os detalhes aqui).
Eu não sei também qual é o choque. O Santa Isabel sempre foi o lar do teatrão pernambucano. Nos últimos tempos (e vêm de antes da minha chegada a esta cidade em 1999) os nossos palcos podem ter sido o Waldemar de Oliveira, o Parque, o Barreto Júnior, o Armazém, o Apolo, o Hermilo, o finado CPT, mas nunca o teatrão do Campo das Princesas. E também custo a enumerar os espetáculos locais que trouxeram lucro a estes teatros. O Waldemar, o Armazém, os teatros privados da cidade quase fecharam as portas em alguns momentos de suas trajetórias por falta de espetáculos que levassem público aos mesmos. Por muito tempo desconfiei da solidez e validade de algumas propostas vigentes, e até bem pouco tempo atrás fazia parte do público pernambucano que sentia medo de sair para ir ao teatro e gastar num ingresso para uma coisa que não ia gostar de ver, preferindo ir a um show ou ao cinema. Também compactuo com uma opinião antiga, citando meu falecido amigo Zoltan Wenekey. Zoltan sempre dizia que o governo não tinha a mínima obrigação de ficar sustentando artista vagabundo. Apesar de gostar de receber dinheiro público para realizar uma montagem, concordo com ele neste ponto. A partir do momento em que o teatro se sustenta somente por verbas públicas, torna-se arte oficial, ou arte morta, que não representa mais risco para a sociedade. É necessária na cena local do Recife uma postura mais independente, a cidade suporta e tem sede deste tipo de teatro, mais experimental e inquiridor, ele leva a mais criatividade e soluções mais ricas e menos pomposas. É só olhar o que o movimento de independência fez com os músicos em relação às gravadoras, facilitando o acesso aos meios de produção e diversificando os tipos de obras feitas. Sinto falta no Recife de teatros com bares, como acontece na Pça. Roosevelt em Sampa, mais espaços independentes, outros modos de produção. A produção teatral local carece também de conseguir produzir materiais de valor agregados à peça, como CD's com a trilha sonora dos espetáculos, programas da peça ou outras publicações vendidos separadamente no local do espetáculo, bottoms, posteres, ou qualquer outra coisa que possa ser vendida e servir de fetiche para o espectador. O único grupo local que consegue fazer isso com sucesso é a Trupe do Barulho. Aliás, a Trupe também solucionou essa questão de arrecadar mais com a bilheteria sem ter que abolir a meia-entrada, simplesmente subindo o valor do ingresso inteiro para quinze reais. Nos 10 anos em que moro no Recife, até o valor do disco de vinil comprado no sebo subiu (até brinquei com o pessoal dos Trapeiros do Emaús, que vendiam discos na UFPE, dizendo que não compreendia a inflação no preço do disco velho), menos a entrada de teatro, que parece tabelada em 10 reais. A população não hesita em pagar 20 ou 30 reais num ingresso quando uma produção de fora vem referendada por um duvidoso mas garantido padrão globo de qualidade. Em suma, falta coragem da classe teatral de porventura se indispor com setores do governo e reivindicar mais verbas para os espetáculos locais e clareza nos processos licitatórios.
Isso tudo é o que me faz ter que aceitar um pouco da opinião oficial. Mas por outro lado acho louvável a mobilização realizada. Espero que dê resultados, e não dissolva-se nas pintas e novas panelinhas que costumamos ver na classe artística local.

7 comentários:

  1. PÔ, Sid, falou e disse. É preciso mesmo parar com esse mau-costume de esperar por verba pública - principalmente, note bem, o costume "esperar por". kkkkkkkkkkkkk

    É bem verdade que o governo não tem que sustentar artista vagabundo. Bem, olhando por isso, também não devia sustentar artista milionário. Afinal, pagar meio Rouanet pra Maria Bethânia cantar uma música e recitar dois poemas de Pessoa, cobrando uma fortuna de ingresso, bem, pra mim é foda. Mas o povo paga pra ver. Então que pague pra NOS ver também.

    Saudades de Seu Zoltan... :)

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  2. Porra, os dois deveriam estar lá dando banho de sangue na estátua da porta do teatrão comigo. Vocês perderam a oportunidade de lavar o centenário sovaquinho da ninfa e pegar nos peitinhos dela publicamente.

    Beijos
    PS: Sidmar só vai às ruas se for pela discriminalização da maconha.... claro! E pela bacanalização geral da nação.

    Be.

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  3. Pora Biagio, pegou pesado!
    Sid tb vai pra rua pra ver Do jarro tocando blues no Novo pina porra

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  4. Concordando com Bruno, governo tb não tem q sustentar artista milionário... o que quero dizer é que ninguém tem que esperar nada pra fazer alguma coisa, e sim, criar os meios pra que tais produções existam...

    Biagio, tu jogasse groselha na estátua? kkkkkkkkk
    vc é uma Maria sem-vergonha e tenho dito.

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  5. Giovanna Guterres25 de maio de 2010 19:53

    pq vc gosta de mulheres de óculos? rsss

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  6. Disse que amava Biagio, ele percebeu...
    kkkkkk

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